O fim dos cartões Black fáceis: os bancos pararam de subsidiar?
Entenda por que os cartões premium de alta renda ficaram mais caros, restritivos e o que isso muda na sua estratégia de acúmulo de milhas.
Durante anos, o mercado de cartões de crédito de alta renda no Brasil viveu um cenário curioso: os cartões considerados "premium" (como as variantes Black, Infinite e Nanquim) tornaram-se extremamente acessíveis. O que antes era restrito a um público de altíssima renda passou a ser oferecido de forma massificada, muitas vezes com regras de isenção de anuidade simples e acessos ilimitados a salas VIP.
No entanto, essa realidade mudou de forma drástica nos últimos tempos. Os bancos iniciaram um movimento coordenado de corte de benefícios, aumento de tarifas e exigências mais rígidas para a manutenção desses plásticos.
O fim do subsídio bancário
Para entender a mudança, é preciso olhar para a estratégia dos emissores. Por muito tempo, os bancos subsidiaram os custos dos cartões premium — arcando com os gastos de acessos a salas VIP e pontuações elevadas — como uma ferramenta agressiva de aquisição de clientes. A ideia era atrair o consumidor para o ecossistema do banco, esperando rentabilizar essa relação por meio de outros produtos, como investimentos, seguros e financiamentos.
Com a consolidação do mercado e a necessidade de buscar rentabilidade operacional, essa conta deixou de fechar. Os bancos decidiram que cada produto precisa se pagar. O resultado prático é que o cliente que não gera receita direta para a instituição financeira deixou de ter seus benefícios financiados.
As barreiras ficaram mais altas
Essa mudança de postura se reflete diretamente no bolso e na experiência do viajante. Entre as principais medidas adotadas pelos emissores nos últimos meses, destacam-se:
- Regras de isenção mais rígidas: As metas de gastos mensais exigidas para zerar a anuidade subiram consideravelmente, assim como o volume de investimentos necessários em algumas instituições.
- Cortes nas salas VIP: Cartões que antes ofereciam acessos ilimitados por meio de programas como LoungeKey ou Priority Pass passaram a limitar as visitas gratuitas por ano, ou até mesmo a cobrar por cada entrada.
- Revisão no acúmulo de pontos: Algumas instituições reduziram o fator de conversão de pontos por dólar gasto ou limitaram os parceiros de transferência.
Como o milheiro deve se posicionar?
Nesse novo cenário, a estratégia de manter múltiplos cartões de alta renda na carteira "apenas por status" tornou-se inviável e financeiramente prejudicial. O acúmulo de milhas e pontos exige, agora, mais racionalidade do que nunca.
O leitor deve colocar na ponta do lápis o custo real do cartão (seja o pagamento da anuidade ou o custo de oportunidade de manter investimentos no banco para isenção) e confrontar com o valor gerado pelos benefícios utilizados, como seguros de viagem, acessos a lounges e o montante de pontos acumulados. Se o custo de manutenção superar o valor real que você extrai desses benefícios no seu padrão de viagem, pode ser o momento de rebaixar a variante do cartão ou buscar alternativas mais eficientes no mercado.
Perguntas frequentes
- Por que os cartões premium ficaram mais difíceis e caros?
- Os bancos pararam de subsidiar os custos desses cartões (como salas VIP e alta pontuação) para focar em rentabilidade, exigindo mais gastos ou investimentos para liberar benefícios.
- O que mudou em relação aos acessos a salas VIP?
- Muitos emissores que ofereciam acessos ilimitados passaram a limitar as visitas anuais gratuitas ou até mesmo a cobrar por cada entrada dos clientes.
Fonte
Passageiro de PrimeiraAnálise original do MilhasHoje a partir da fonte citada. Sempre confirme regras, prazos e valores no canal oficial do programa antes de decidir.