Aeternum no exterior: pontos extras compensam o spread?
O Bradesco Aeternum aumentou o acúmulo de pontos em transações internacionais. Descubra se a pontuação turbinada supera o custo do spread cambial.
O dilema das compras internacionais com o Bradesco Aeternum
O Bradesco apresentou uma novidade para os portadores do seu cartão de metal ultra-high-net-worth (UHNW), o Bradesco Aeternum: uma pontuação turbinada para gastos realizados em moeda estrangeira. Embora acumular mais pontos por dólar gasto seja o sonho de qualquer milheiro, compras internacionais no cartão de crédito brasileiro sempre acendem um sinal de alerta devido aos custos embutidos na transação.
Para avaliar se essa mudança realmente traz uma vantagem financeira para o seu bolso, é preciso colocar na balança o custo de oportunidade e as taxas cobradas pelo banco emissor.
A matemática oculta: Spread e IOF
Sempre que você utiliza um cartão de crédito emitido no Brasil para fazer compras no exterior (seja fisicamente ou online), o valor final da sua compra é impactado por dois fatores cruciais:
- IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): Embora o imposto federal esteja em uma trajetória de redução gradual programada, ele ainda representa um acréscimo direto no custo da transação.
- Spread Cambial: Esta é a taxa que o banco cobra sobre a cotação oficial do dólar comercial (PTAX) do dia da transação. O Bradesco, historicamente, aplica um dos spreads mais elevados do mercado de grandes bancos de varejo.
Ao turbinar o acúmulo de pontos nas compras internacionais, o Bradesco tenta mitigar a perda de transações para as contas globais (que operam com IOF de 1,1% e spreads muito menores). No entanto, o custo para "gerar" esses pontos extras via cartão de crédito tradicional pode ser proibitivo.
Vale a pena usar o Aeternum no exterior?
Para determinar se a operação faz sentido para você, o cálculo básico consiste em comparar o custo de aquisição dos pontos com o valor de mercado que esses pontos possuem quando transferidos para parceiros do ecossistema, como a Livelo.
- Custo dos pontos gerados: Calcule a diferença entre pagar a compra com o Aeternum (considerando a cotação do dólar do banco + IOF) e pagar com uma conta global de saldo em dólar/euro. Essa diferença em reais é o valor que você está pagando "a mais" para obter os pontos adicionais.
- Valor de mercado: Divida esse custo extra pela quantidade de pontos adicionais gerados. Se o valor por milheiro resultante for significativamente superior ao valor-alvo dos pontos no mercado de milhas nacional, a operação deixa de fazer sentido financeiro.
Na maioria dos cenários práticos para cartões com spread elevado, a conveniência e o acúmulo de milhas não superam a economia real e imediata de usar uma conta internacional com spread baixo. A pontuação turbinada funciona muito bem para quem tem gastos corporativos reembolsáveis ou para quem prioriza a centralização de pontos em uma única conta à custa de um prêmio financeiro.
Perguntas frequentes
- O que é o spread cambial em compras internacionais?
- É a taxa cobrada pelo banco emissor do cartão sobre a cotação oficial do dólar (PTAX) na conversão para o real.
- Vale a pena usar o Bradesco Aeternum no exterior com a pontuação turbinada?
- Geralmente não, pois o custo do spread do Bradesco somado ao IOF costuma deixar o milheiro gerado muito mais caro do que o valor de mercado ou do que a economia obtida usando contas globais.